Agentes cumprem mandados de prisão e buscas nesta quinta (28) em bairros da capital e na RM. Investigadores dizem que o grupo produzia e divulgava vídeos de violência sexual com menores.
A Polícia Civil realiza HOJE, 28 de outubro, uma operação de grande porte para desarticular um esquema de exploração sexual de adolescentes no Rio de Janeiro. Agentes cumprem mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em diferentes bairros da capital e da Região Metropolitana. Segundo os investigadores, os alvos integram uma organização que lucrava com a produção e distribuição de vídeos de violência sexual envolvendo meninas.
As diligências começaram nas primeiras horas da manhã. Equipes especializadas recolhem computadores, celulares, câmeras e documentos que, de acordo com a investigação, eram usados para registrar os abusos. O material audiovisual servia ainda como instrumento de chantagem: as imagens eram mostradas às vítimas como ameaça para obrigá-las a permanecer no ciclo de agressões.
“O mecanismo de chantagem, associado a agressões físicas e psicológicas, era empregado para manter as vítimas sob controle e submetê-las a novos abusos”, informa nota da Polícia Civil.
Os investigadores classificam o esquema como uma espécie de escravidão sexual de adolescentes. Além dos estupros, há indícios de tortura, ameaças constantes e extorsões. As vítimas, em situação de extrema vulnerabilidade, eram coagidas a participar de gravações que depois eram comercializadas em plataformas clandestinas na internet.
O ponto de partida da apuração ocorreu em julho, quando um assessor parlamentar foi preso em flagrante em Niterói pelo estupro de uma adolescente de 16 anos. Na ocasião, peritos recolheram computadores e celulares na residência dele. A análise do conteúdo desses aparelhos revelou conversas, roteiros e arquivos de vídeo que levaram a outros nomes e endereços ligados ao esquema.
Com base nesse material, a polícia representou pela prisão de suspeitos que aparecem nos registros digitais e nas conversas interceptadas com autorização judicial. HOJE, os mandados são cumpridos simultaneamente para evitar fuga ou destruição de provas. Até o momento, as autoridades não divulgaram o número de prisões efetuadas, mas reforçam que a operação continua ao longo do dia.
Especialistas em crimes cibernéticos participam da triagem dos equipamentos apreendidos. A expectativa é identificar possíveis compradores dos vídeos e mapear contas bancárias usadas para movimentar o dinheiro gerado pelos abusos. A Polícia Civil também aciona rede de proteção social para garantir amparo psicológico, médico e jurídico às adolescentes resgatadas.
Os envolvidos podem responder pelos crimes de estupro de vulnerável, produção de pornografia infantil, tortura, associação criminosa e lavagem de dinheiro. As penas, somadas, podem ultrapassar 30 anos de reclusão. A investigação segue sob sigilo para preservar as vítimas e não comprometer novas diligências.
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